sábado, 24 de dezembro de 2016

Alma morta em um corpo vivo

É noite de natal, é a merda toda novamente. Fazia tempo que não tinha uma data comemorativa tão especial que fosse tão ruim, porque nas últimas eu estava magra. Hoje é o aniversário de Jesus, e eu não consigo me sentir feliz por isso, porque sou egoísta e só olho pro meu próprio umbigo. Vou para ceia por livre e espontânea pressão.

Espero que seu natal seja melhor que o meu.


Um desejo de Natal: morrer.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

💔💔💔

Me sinto tão perdida.



Feia, uma vadia feia. Mas será possível que nunca vou aprender a gostar de mim?

Ando tão insuportável, implicante. Ciumenta.

Como posso ter algum vestígio de confiança quando me acho a pior mulher do mundo.

Se eu tivesse a oportunidade mudaria tudo em mim.

A textura, cor e tamanho dos cabelos.
A cor da pele.
O formato do corpo.
A altura.
O peso.
A postura.
A voz.
Os traços.
As proporções.

Tudo.

Eu odeio tudo, quero que meu corpo suma do universo e que minha alma vá junto.

Eu odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio odeio tudo em mim.

Porque sou gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda  gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda gorda.


Parece drama de adolescente. Mas eu perdi tudo! Minha infância toda fui gorda, minha adolescência toda fui gorda. Minha juventude foi perdida em meio a tanta lembrança ruim. Eu farei 20 anos 10kg mais gorda do que estava ao fazer 19.

Eu não acredito, não aceito, não posso aceitar!!!

Ser gorda é uma maldição. Eu odeio tanto!

Por Deus!!! Quando eu vou ter paz?

Minha alma já não aguenta estar sempre perturbada.
São tantas regras, tantos xingamentos, tantos juramentos. Tantas promessas não cumpridas. Frustrações, decepções... 

É como uma vela que quando acesa queima intensamente. Forte e viva. O vento pode vir, ela enfraquece mas resiste, se impõe. Porém tanto esforço para se manter gera desgaste. A vela diminui aos poucos. Sua luz se mantém, mas chega um ponto que ela se apaga.

Acho que minha luz apagou.




quarta-feira, 16 de novembro de 2016

“Eu falhei em comer, falhei em beber, falhei em não me cortar em pedaços. Falhei na amizade. Falhei na irmandade e na filhandade. Falhei em espelhos e em balanças e em telefonemas. Ainda bem que eu estou estável.” Winter Girls

Engolir.

:: Mastigar/engolir/mastigar/engolir/mastigar/engolir/mastigar/engolir/mastigar/engolir/mastigar/engolir/mastigar/engolir/mastigar::

Foi o que fiz estritamente por algum tempo sem pensar.

Sem respirar.
Sem sentir.
Sem querer.

Eu a vi.

Loura     ...      Magra     ...     Sinistra    ...     

Ela cheira a água do mar.

Não consigo mover-me.

Me pego ajoelha em frente ao poço de sujeira.

Minha alma quer sair.

Eu a provoco.

Despejo toda aquela sujeira. Era veneno pão com manteiga e queijo, era veneno macarrão com linguiça, era veneno achocolatado. Vomito até sentir o gosto ácido de Eu.

Mia me dá os parabéns. Sente-se satisfeita por estar mais presente em minha vida neste dia.

Eu nem acredito ter sido tão fácil, depois de um ano, é como se eu nunca tivesse parado. Foi prazeroso. Sinto-me revigorada. Pus todo o lixo para fora.

::Limpa/limpa/vazia/pura::

Eu precisava purificar-me.

Senti a água escaldante queimar minha pele pálida. A gordura poderia derreter e descer pelo ralo. Lavei o cabelo. Uma, duas, três vezes. Não importa. Tirei todos os pelos sujos. Fiquei lisa, macia, como uma flor recém desabrochada. Esfoliei a pele do rosto, eu poderia arracá-la desde que toda gordura se fosse de mim. Limpei as unhas, escovei os cabelos. A boca estava seca; dei-lhe água. A minha pele recém queimada ofereci creme hidratante, e disse a ela que aproveitasse aqueles nutrientes, porque ela os veria apenas vindo de fora por um bom tempo. Eu queria muito escovar os dentes, mas sabia que não podia, já estavam sensíveis demais.

Na cozinha novamente, porém vestida de outra pessoa. Água ferve. Cheira o chá. Verde. O sabor é horrível. Perfeito para mim. Ana chegou. O cheiro de gengibre e céu estrelado é inconfundível.

Por que me deixou chegar a isso? Precisei tanto de ti. Não me abandone, não mais, por favor!

Meu cérebro insiste em me fazer achar que ela realmente está aqui. Ouço vozes, sussurros... Vejo sombras sinistras. Tenho a impressão de estar sendo observada.

Questiono-me se realmente estou louca. Afinal, isso não é atitude de um ser humano normal.

Mas eu não sou normal. Nem especial.

Eu sou a sujeira que fica estagnada nos cantos da sala. Sou um uma pedra em meio aos grãos de areia, grande e pesada demais.

Eu não deveria estar lá.
Não deveria estar aqui.

Suspiros, me resumo a suspiros...
A lamentos de uma alma hostilizada por si própria.
A desejos nunca realizados. A frustrações e decepções.

Ontem a balança me acusou, disse que eu estava louca. Me perguntou por onde andou minha cabeça. Me fez pensar como pude chegar a isso.

Estou na zona de perigo. Em alerta. A beira do precipício. Se eu passar daqui, a queda é certa. Se eu chegar ao fundo do poço novamente, não sei se terei forças para levantar e escalar toda extensão da minha decadência.

Eu sinto tanta falta...

Meus ossos de porcelana brilhavam. Eu sentia tanta dor por qualquer pancada. Eu os tocava com orgulho. Tudo era frio. Não havia suor, sujeira, rejeição.
As pessoas gostavam de mim, me queriam por perto. Ou seria eu me amando?
As roupas caiam. Tudo era confortável. Eu levantava os braços livremente. Observava feliz minhas pernas enquanto caminhava, não eram realmente finas, mas não se tocavam. Meu pulso, eu sentia que poderia quebrá-lo a qualquer movimento mais brusco. Meus pés ficaram feios, ossudos, as veias saltadas. E o que dizer das minhas mãos? Pareciam ser de uma criança desnutrida. Eu estava tão linda. Notavam minha cintura, ela estava lá existindo. Eu era uma caveira mexicana. Maçãs saltadas, olheiras profundas. Meus fartos lábios destacados, implorando que alguém os notasse. Minha barriga se comportava, os ossos de meu quadril era uma deliciosa canção da vitória. Nua, em frente ao espelho me via tão longe da perfeição. Mas ali, a baixo da clavícula estava a gaiola de ossos saltando em meu colo, veias azul faziam contrate ao branco-gelo de minha pele.

Agora eu sou amarelo-banha. O rosto é como uma bolacha. Minhas mãos parecem estar envoltas de uma espessa luva de frio, as pernas se arranham brigando entre si. Os ossos do quadril, colo e costelas sumiram. Se foram de mim. Meus braços forneceriam banha para um Mec Donald's inteiro. Minha barriga chama tanta a atenção que já não me notam. 

Dói não ter algo, mas tê-lo e perdê-lo para sua fraqueza é humilhante.

Esta é minha realidade.
Me comprometo a mudá-la.

Custe o que custar.

No último gole de chá sinto o amargo de minha existência.


O fato descrito ocorreu ontem. Escrevi espontaneamente após miar, enquanto tomava chá. Chá este que era horrível para mim até este dia. Hoje, consumi um litro do mesmo - sendo 600ml de chá verde e 400ml de chá de hibisco+canela+gengibre. O dia foi de jejum não planejado, eu simplesmente não senti necessidade de comer então não o fiz. A balança me mostrou com deleite 1kg a menos do que tinha dois dias atrás. Tudo bem, pode ser apenas água, mas do que importa? Eu estou um quilo mais leve, um quilo mais perto da minha meta.
Não há mas nada o que falar. Eu ansiava por isso. A fome conforta, vocês podem me entender? Ela acalenta meu espírito torturado. É apenas desta maneira que encontro um pouco de paz.
As meninas que me apoiaram quando decidi parar de vomitar, perdoem-me, eu não pude controlar. Para mim, “miar” vai muito além do que apenas pôr comida para fora. Junto com a nojeira desce toda minha frustração, minhas dores. Todo o processo me machuca por dentro, me destabiliza. Entretanto se consigo privar-me de comida no pós vomito é como sentir meu corpo tomado por uma solução mágica de cura. Sinto casa célula se regenerar e crescer mais forte.

A sensação de vazio é complexamente interessante. É como ativar a função “máximo” dos seus nervos. Tudo é mais intenso.

Seus pensamentos se tornaram claros...
Você sente se vai vir chuva...
Qualquer dor se intensifica...
Qualquer desacordo é um bom motivo para brigar...
Qualquer briga é o fim do mundo...
Qualquer som é alto demais...
O que não te interessa é irritante suficiente...
Você é irritante o suficiente...
Você percebe seu corpo mais claramente...
Conhece suas dimensões.
Sente o sangue quente latejar em suas veias...
Sente o estômago se contrair involuntariamente...
Ouve seu coração bater de um jeito menos metódico...
Isto porque você está instável.
Isto porque você está vivendo.

Finalmente viva!!!

Tudo o que eu gostaria era de viver cada momento...

Vocês entendem que não estou louca? Realmente entendem?
Não posso contar a mais ninguém!
Estou sozinha.

Eu preciso ser magra.


Vocês me compreendem?

sábado, 29 de outubro de 2016

Sinto-me tão perdida...


Sinceramente não sei o que é passar um dia de minha vida sem sentir dor ou culpa, sem sentir ódio de ser quem eu sou.

O sabor é bom na boca, mas angustiante no estômago. Meu corpo rejeita tudo aquilo pelo que meu cérebro clama. O estômago aceita bem só o pouco que é lhe dado, sofreu num primeiro momento, mas acostumou-se a sensação de estar vazio.

No presente momento meu corpo é extremos.

O estômago é sinônimo do coração e antônimo do cérebro. Vazios e lotado, respectivamente.

Sinto-me atônita. O que fazer quando por amor a si mesmo, você precisa se machucar tanto?

Recuperar o controle é sentir seu corpo em declínio. Um longo e suave caminho ladeira a baixo. Não pense que alguém vai te salvar, porque não vai. Os poucos que se importam não devem saber, ana crava suas unhas em suas costelas, passa seus longos dedos entre elas, destrói tudo por onde passa, estômago, esôfago, coração... um caminho de tragédias. É lastimável e doloroso, até chegar em sua boca e arrancar sua língua. Desta forma você nem sente sabor, nem pode clamar por ajuda.

Eu sucumbi a ana mais uma vez. Como poderia reclamar se é algo que eu procurei?
Como poderia parar agora, se estar comendo normalmente me machuca tanto?

Pergunto-me por que é tudo tão bagunçado em mim. Por que em meio a tantas pessoas sinto-me tão sozinha. Por que quando estou com o estômago cheio é o momento que sinto o coração mais vazio. Fico questionando o que há de errado comigo, procuro culpados e acho n circunstâncias que me transformaram no que sou hoje. Toda essa necessidade de ser notada, de sentir-me limpa, de estar vazia para ser mais pura.

Sim, mais pura. Quando penso desta forma, consigo ver que este é um dos motivos pelos quais continuo sendo escrava da ana. Ela me proporciona, de certa forma, a tal purificação. Sentindo-me mais limpa sou mais segura, tenho a necessidade de estar vazia para ter um pouco mais de atitude. Não há banhos suficientes para tirarem de mim toda a sujeira que sinto estar impregnada em minha pele, não há escova dental que limpe tantas palavras feias de minha boca. Não há laxante que arranque de minhas entranhas o que comi por toda a vida. Gostaria de poder tomar desinfetante, e limpar minha alma de vez!
É por isso que gosto do cheiro de gengibre, canela e água do mar. O cheiro que ana trás quando passa por mim e abraça-me acalentando-me, acariciando meus cabelos, e dando-me esperança de um dia diminuir este martírio.

Não sei porque sinto que é uma grande mentira, e que como uma mãe que diz a um filho que não tema o mundo para encorajá-lo a seguir em frente, minha ana me ilude a achar que posso realmente ser bela algum dia para ter-me sempre nas mãos.

Será que eu realmente consigo?
Será que devo tentar?
Será que sobreviveria a isso?
Qual é o preço que devo pagar para conseguir o que quero?
É isto que eu realmente quero?

São tantas interrogações...



quarta-feira, 19 de outubro de 2016

★ Filosofia + Beleza = Consciência de si mesmo?

O que, em ti, é belo?


Estava eu, refletindo sobre os padrões estéticos estabelecidos em nossa sociedade, e lembrei-me do Mito de Procusto. Nele, existe um relato no qual os gregos, que tramitavam entre as cidades de Atenas e Mégara, se deparavam com um bando de salteadores liderados por Procustos. Este bando tinha uma característica cruel que os marcavam: obrigavam os viajantes a deitarem na “cama do castigo” feita por Procustos. Essa cama tinha uma medida exata. Se a pessoa fosse maior, teria suas pernas e pés mutilados e se fosse menor seria esticada, mas todos teriam que caber no tamanho exato da cama, mesmo que isso lhes custasse à vida. Assim fazemos nós atualmente, tentamos de tudo para caber nos tais padrões, também perdemos a vida em nossos esforços.
Vocês não se perguntam “para quê” ou o “por quê” disso? Tenho quase certeza que sim.


Mas quem raios deu o direito à mídia de ditar as regras? O que é a mídia? Não são as revistas, programas, novelas e blogs? E estes são constituídos pelo quê? Não seria por pessoas? Por que essas poucas pessoas são detentoras de tamanho poder?


São questionamentos que precisamos nos fazer. Por trás da tal da mídia tem gente, pessoas de carne e osso e cheias de defeitos como nós. Mas não, estamos nem aí, o importante é agradá-los. Porque se agradamos a sociedade somos consideradas bonitas, e se somos bonitas, somos felizes.


Mas o que é ser bonito? O que é o Belo? O que, em sentido literal, é beleza?

Primeiro o significado: beleza é uma característica de uma pessoa, animal, lugar, objeto ou ideia que oferece uma experiência perceptual de prazer ou satisfação. É a qualidade do que é belo. Etimologia: O substantivo grego clássico para "beleza" era κάλλος, kallos, e o adjetivo para "belo" era καλός, kalos. Obrigada querido Wikipédia.


Já pararam para refletir exatamente o quê às tornam inadequadas? São os quilos a mais, o nariz mais avantajado ou o culote pulando dos shorts? Tentei entender o que torna um objeto belo diferente de um não belo, então cheguei em três teorias muito interessantes.

São elas:


Objetivista: afirma que todo objeto belo tem - e todo objeto não belo não tem - certa propriedade "p" que o torna belo ou não. Essa propriedade "p" seria algo que é perceptível no objeto mas não é uma parte do objeto. É basicamente que o indivíduo tem “Q” a mais, algo especial, não sendo este algo tangível. Se essa teoria estivesse certa, então todo objeto que tivesse a propriedade "p" seria considerado como belo por qualquer pessoa normal. Daí a primeira objeção que desafia essa teoria: então de onde surgem os desacordos estéticos? Aqui ele propõem várias questões subjetivas (influências de aprendizado por exemplo) que caracterizam o indivíduo como apto ou inapto a percepção da beleza, ou seja, alguns indivíduos percebem o que é belo e outros não. Entretanto, queridas magrelas, há uma divergência pelo fato de as pessoas acharem coisas diferentes belas, ou melhor dizendo, tem gente que acha uma mulher bem magra bonita outros preferem uma mulher malhada (violão). Então, todos os indivíduos tem capacidade de apreciar o belo, porém de maneiras diferentes. O quebra a tal da propriedade “p” - que apesar disso tudo, faz um pouco de sentido para mim, quando proposto em um grupo isolado.


Subjetivista: afirma que não existe nenhuma propriedade "p" no objeto que o torna belo, mas sim algum elemento subjetivo "s" no sujeito que o torna propenso a reconhecer aquele objeto como belo. Ou seja, essa visão quer contrariar a amiguinha. Ela não põe aquele “Q” na coisa que será apreciada, mas sim no indivíduo que irá aprecia-la. Um exemplo bem simples é um filho, a mãe daquele indivíduo o acha a coisa mais linda do mundo, nem que a criatura tenha a boca no lugar dos olhos, mas ela o olha e pensa “que menino lindo” hahaha. Parte daí minhas amadas, as expressões como “mãe coruja” ou “o amor é cego”, porque há estima envolvido naquela visão. Mas Any, que tem a ver isso com ana e mia? Tudo ora essa. Euzinha aqui, essa teoria explicaria minha obsessão por magreza por conta de crescer sob forte influência da beleza de Anahi Giovanna Puente Portilla. Eu tinha afeto por ela, então projetei seu biotipo como imagem da perfeição. Assim como vocês podem ter feito com modelos, atrizes, parentes ou até amigas. Daí se diz que a experiência subjetiva define o que é belo. Porém - sempre tem um “porém” - como, neste caso, poderia existir acordo estético? Sim meus amores, justamente o contrário do questionamento da teoria anterior hehe, precisamos entender que esses filósofos não tão fodões, maioria das vezes a filosofia dos caras é contrariar o coleguinha. Continuando, como é possível que sujeitos diferentes, com experiências e características subjetivas diferentes, concordem entre si que certas coisas, as mesmas coisas, são belas? Tenta-se supor que é o fato de terem experiências ou características subjetivas muito parecidas. Mas essa resposta não é razoável, convenhamos. E nós precisamos nos encher de “certezas” nesta vida, - ou não?
Neste caso, continuemos nossa conversa, e vamos conhecer a terceira resposta para tentarmos entender o que distingue um objeto belo de um objeto não belo.


Intersubjetivista: propõe que entre o indivíduo apreciador e o objeto/indivíduo apreciado exista a mediação de uma cultura estética compartilhada (CEC) por certo número de indivíduos. Essa CEC consistiria numa série de padrões, critérios e valores, ou seja referenciais, com base nos quais o sujeito aprecia o objeto. Fala minha língua Any 😠, é que basicamente esses referenciais da CEC definem certas propriedades "p" que os objetos/indivíduos precisam ter para serem denominados como belos. Desta forma, existem propriedades "p" que tornam o objeto belo, mas não por natureza, e sim porque é conveniente que assim seja, isto é, de acordo com os referenciais da CEC. Não entenderam ainda né? Calma. Um exemplo bem simples, na sociedade contemporânea BRASILEIRA, em sua grande maioria - não em sua totalidade - é que mulher bonita tem estatura mediana, seios fartos, bunda grande e coxas grossas. Isto é apenas um exemplo, mas vocês podem notar que lá no EUA são mais valorizadas as altas de seios fartos de quadril menor e pernas longilíneas. O fator determinante é inserido social e culturalmente, e isso vale até para comportamentos, como a RIDÍCULA “tolerância” a cultura do estupro neste país. Numa mesma CEC, contudo, poderia haver grupos e subgrupos diversos, capazes de explicar também os desacordos estéticos entre indivíduos pertencentes à mesma CEC. De todo modo, para mim, esta é a que define o melhor entendimento para as divergências da concepção de beleza.


Urfa! Guerreiras vocês hein...
Faz tempo que venho querendo racionalizar meu critério de beleza meninas, me sentir menos fútil em minha busca pela perfeição. Eu tenho muitos assuntos para abordar com vocês, esta foi uma parte introdutória - imagina se não fosse hehe. Vamos tentar entender o que nós temos e o que nos trouxe aqui. Em minhas próximas postagens pretendo abordar temas como “pré-determinantes e agravantes dos Transtornos Alimentares” e “Transtorno Dismórfico Corporal”.

Por fim lhes digo, estou completamente desesperada para emagrecer, todavia, apesar de tudo, (hoje) me sinto um tanto focada. Torçam para que este estado de espírito dure.

Vou parar por aqui, porque né, vocês não são obrigadas. Se cuidem minhas magrelitas e lembrem-se:

Jamais deixem-se alienar. Questionem. Queiram saber o porquê das coisas. Há muito a aprender nesta vida. É necessário pensar. Furem o guarda-sol, e enxerguem através da fenda.


💋MILHARES DE BEIJOS💋

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Imaginem a Rapunzel careca. Sintam sua dor ...


“Olhe num espelho e veja um fantasma. Escute cada batida do seu coração gritar que tudo absolutamente tudo está errado com você.”

— Garotas de Vidro

Ontem fui a uma procissão, queria renovar minha fé, estar mais próxima de Deus - mesmo que eu ache que não é preciso ir a igreja especificamente para estar perto de Deus - mas apesar da paz de espírito, também senti muita, muita decepção.
Foi tão doloroso me sentir tão feia, vi meninas maravilhosas, tão simpáticas, bonitas, seus corpos, rostos e cabelos tão perfeitos. Mas teve uma que, puta que pariu, olhar para ela me dava desespero. Era uns cinco centímetros mais alta que eu, loira natural, de um corpo deslumbrante. Não era thinspo, ela tinha aquele tipo de corpo incontestável pela grande maioria. Toda proporcional, simétrica. sou a louca da simetria Olhos claros, sorriso aberto. Deslumbrante em sua calça jeans e camisa preta.
Me senti extremamente mal, deslocada. Fiquei questionando “por quê”, mas não tem explicação. Eu simplesmente tinha que nascer tão feia e pronto.

Outro dia estava olhando imagens de looks inspiração, que claro, são vestidos por thinspos. Comentei com uma colega como aquelas pernas eram lindas, minha amiga riu e disse que eu estava louca, respondi com convicção que achava pernas finas lindas, que tudo bem magro sempre é mais bonito. Ela respondeu simplesmente “então tu deve se odiar”. Foi o suficiente para calar-me a boca.

Como palavras podem ser tão dolorosas?

A tanto tempo não vivia uma má fase tão horrível. Não consigo parar de comer, não tenho dinheiro para nada - inclusive arrumar meu cabelo - e se meu cabelo não está bom minhas magrelas, não sou ninguém.

Sei que parece exagero da minha parte, mas é que foto engana. A da esquerda é meu cabelo em maio de 2015, e a da direita é de agosto deste ano. Tinha feito hidratação nas duas, porém a última foi tirada a noite e com flash. Além disso a última foi tirada mais de perto, por isso não se nota muita diferença de tamanho.

Vejam a mudança. Não, não foram processos químicos. Foi a ana, que me levou a ÚNICA coisa a qual eu gostava em mim: meu longo hair. Ai que saudades. Vocês não, não podem ... Não sei como escrever em palavras a dor que sinto, não sei mais transformá-la em poesia. Tudo está um tormento!
Sobre meu cabelo, ele foi caindo ao longo do ano que perdi os 20kg, eu via e sentia a queda, mas não parecia tão preocupante. Se vocês acham que o cabelo vai caindo em grandes e assustadoras mechas, não é bem assim. Ele vai caindo aos poucos, claro que bem mais que o normal, mas você não vai acordar um dia com um círculo careca na cabeça. Em mim caíram cabelos principalmente na parte da frente, atrás das orelhas e no topo da cabeça. Agora que está crescendo - bem devagar só para constar - meu cabelo ficou um rabicho com muito frizz encima. O fio está ainda mais fino, o volume reduziu à metade, me vi obrigada a cortar. É tão desesperador. Essa questão do cabelo me fez pensar se valeu a pena. Ainda não obtive resposta.

Estou muito confusa e desanimada. Como recomeçar? Como sair de onde estou. Não posso permanecer assim!

Preciso purificar-me. Necessito de uma limpeza profunda.

Minha alma está quebrada, meu coração partido. Tudo que exala de mim neste momento é dor 💔



quarta-feira, 28 de setembro de 2016

I'm back



Eu não sei como começar. Minha “escrita" se foi desde que comecei a treinar as dissertações argumentativas.

Talvez a melhor forma seja pedindo-lhes perdão, novamente. Sumi, não as visitei. Estive completamente dispersa, desconcentrada. Perdi o foco e a vergonha na cara. Perdi a linha, a disposição.

Me vi diante de um abismo e pulei.

Até hoje estou a cair.

Volta e meia me questiono por que não peço ajuda a vocês, apoio que eu sei que me darão com todo amor se precisar. Mas eu não consigo. Me fogem as palavras, as letras se embaralham e transfomam-se em um monte de nada.

E engordei, cada palavra não escrita uma grama acumulada. Assim cheguei a quase 66kg. Um horror. Um crime. Não tenham pena de mim. Eu mereço.

Meu Deus eu me pergunto como pude chegar a isso. Sinto tanta falta de meus ossos. As pessoas estão comentando, e só por isso eu despertei. Afastei a névoa escura que encobrira meus olhos durante tanto tempo.

É tão difícil recomeçar. É impossível me agradar.

Tenho grandes sonhos. Utopias. Planos estipulados para alcançar metas e objetivos.

Mas de que adiantaria, ser acadêmica de direito logo após o ensino médio, com todo o mérito de ter sido aprovada pelo Enem, se eu for uma orca roliça gigante destruidora de cadeiras de plástico?
De que adianta formar-me no dito curso e ter uma linda festa se não couber no vestido desejado?
Não há dinheiro, nem da melhor das melhores profissões que me fará feliz se não for magra.
E vice versa pois, magra sem nenhum tustão não será pleno.

Sou ambiciosa não?

As coisas fugiram do controle.

Mas eu decidi mudar, e desta vez, estou sozinha com a ana.

Eu já lhes disse que eu sou uma farsa? Todo este tempo me auto enganando e enganado vocês, dizendo ser ana, me achando forte por não ter fome. Era mentira, pois não era eu e sim os remédios, ou melhor, “o" remédio.
Franol o nome dele, minha anorexia só existia por conta dele. Claro que nem sempre foi assim. Meus TA's vieram muito antes, mas depois que eu passei a usá-lo, tornei-me dependente. Então já era de se esperar que eu ia me foder quando não pudesse mais tomá-lo.
E o que aconteceu?
Eu me fodi.
Claro, ferrei tudo.

Já são três meses “limpa", e nestes três meses eu quase desisti. A fome avassaladora me devastou. Meu corpo quis consumir tudo que eu o neguei ao longo deste último ano. Junto a isso meu cabelo - preciso conversar seriamente com vocês sobre isso - me deixava - e ainda deixa - muito depressiva, juntamente com trocentas provas, trabalhos e seminários, brigas de família e pouco dinheiro para muita conta, já viram ... descontrole total. 

E boom! Explodiu!

Any de 58kg para 65,7kg.

É, só agora consegui me restabelecer. E depois de tanta luta a fome já não incomoda tanto, aos poucos aprendo a ama-la novamente. E desta vez sem nada de drogas.

Estes últimos meses foram uma provação! Cheguei tão perto de voltar a vomitar.
Lembro de um dia que deixei cair o shampoo e quando fui apanhá-lo me vi tão próxima ao vaso sanitário, que pude sentir o calor do vomito em minha garganta. É claro, eu devo ser louca, entretando estou apenas sendo sincera. A maioria das outras vezes que me vi tentada a miar foi por conta de excesso de comilança.

No momento sinto-me demasiadamente estável. gostaria de contar-lhes meus planos futuros e também sobre minhas leituras, mas isto fica para outro post.

Peço que me perdoem novamente, a vida é uma verdeira loucura, então não prometerei um retorno em breve, mas que o universo conspire a favor.

Não desistam de mim 🦄

domingo, 7 de agosto de 2016

♥ Sua percepção é seu reflexo ♥


Estive pensando em realmente comprar um grande espelho, visto que dificilmente consigo me visualizar por completo. Quando fico frente a uma superfície a qual produz reflexos, fico com muita vergonha de me observar, principalmente por ser em lugares públicos - no caso o colégio, o qual tem um imponente e atrativo espelho situado no meio do pátio, mais precisamente entre a rampa e a cantina - então fico extremamente constrangida por ser tão atraída por meu reflexo como se eu fosse, para eu mesma, um mistério a desvendar.
Mas como tudo na minha vida nada é tão simples. Temo pelo pior: ao adquirir um grandioso espelho eu me sentirei tão, mas tão atraída que poderia atravessá-lo, e de repente, me encontrar em um mundo paralelo onde Lebres, Coelhos, Gatos e Chapeleiros Malucos tomam chá e um Jaguardarte me arranharia e então eu putrificaria.
Seria muito fantasioso de minha parte imaginar algo tão fictício?
Caras e caros leitores, queiram perdoar-me, mas sou eu, a Any Portilla, lembram? Sim, sim, “I do Believe", “Nunca cresçam", “A Princesa de um Conto que Não Existe".
Me vejo constantemente obrigada a dosar a distância entre mim e os espelhos. Como dito anteriormente eles são piores que qualquer balança ou fita métrica. Ele não é uma ciência exata, ele não te mostra os resultados em números, ele não diz “ok você emagreceu tanto", ele simplesmente te mostra a realidade de vários ângulos, de todas as formas mais invasivas. Você não pode mentir, não pode se esconder. Você se percebe, se sente, você vê, sorrateiramente enxerga a verdade.
É tênue a linha entre o equilíbrio e a loucura em frente à um espelho.
É tênue a fonteira entre sua realidade inventada e dimensão paralela à qual você tantas vezes esteve tão prestes a romper.

É isso que me mantém sem um em meu quarto. Espelhos são perigosos... traiçoeiros.
É uma armadilha, em um instante você estava estava lá, quieta, vivendo sua vidinha. No outro você se vê congelada frente ao espelho se observando tão profundamente que é capaz de distinguir as nuances da sua alma. O ódio da imagem que reflete naquela superfície maligna é tão forte que poderia quebrá-lo com um golpe e enfiar um grande caco em sua garganta - é muito mais fácil morrer cortando a jugular do que os pulsos, convenhamos.
Lavando em consideração minha falta de estabilidade emocional, minha baixa auto estima e minha frequentes alucinações, além da insatisfação constante é claro, declaro não seguro ter um espelho desses tão por perto.
Dizem que admirar-se num espelho trincado seria um erro terrível: significa quebrar a própria alma.

De qualquer forma a vontade persiste, gostaria de passar horas me avaliando, vendo como as coisas realmente são. As vezes penso que vão enxergo como realmente sou, não consigo tirar fotos de bons ângulos, não tenho dimensão de minhas extremidades.

Impasse...



Já pararam para pensar no poder que Lua exerce sobre o Mar, a Lua rege as marés. Corpo celeste este que reflete o brilho do sol, seu reflexo é direcionado diretamente a água, que é o primeiro e mais natural espelho da humanidade. Narciso, ao olhar seu amaldiçoado reflexo se encontrou tão apaixonado por si mesmo que morreu por nunca poder se tocar.
Reflita, assim como a Lua controla as marés, quem, do outro lado de seu reflexo rege sua vida? Será que nós, pessoas transtornadas, naturalmente mais sensíveis a estímulos externos, não estamos, assim como Narciso, condenados a morrer tentando alcançar algo que não pode ser de fato nosso?

O espelho da anoréxica é mentiroso."
 Mas qual não é?

George Berkeley, filósofo idealista irlandês - podemos falar mais sobre ele outro dia - afirma “Ser é ser percebido." ou seja, nada existe fora da percepção. Todas as criaturas só existem porque são percebidas, e se não são automaticamente não existem. Vamos direcionar o conceito ao nosso cotidiano, o que você enxerga no espelho? Uma garota gorda e lerda, que não se encaixa, que não é desejada. Outra pessoa pode enxergar em seu reflexo uma mulher linda, inteligente e sensível.
Esta pessoa está mentindo? Não. Vocês são pessoas diferentes, são percepções distintas. Basicamente, o que estou tentando dizer é que se nós achamos que somos gordas, ainda que tenhamos peso normal, se imaginamos como somos desprezíveis, se temos certeza que não conseguiremos ser quem desejamos ser, vocês acham que algum dia veremos em nosso reflexo uma mulher magra, segura e realizada? Jamais!
Entra aqui a resposta da pergunta que fiz a uns parágrafos acima: quem do outro lado de seu reflexo rege sua vida? Sua alma doentia. O espelho é apenas a ferramenta, cada um carrega uma outra dimensão consigo, e estar em frente ao espelho é estar a um passo de romper seus mundos.

Segundo os idealistas berkelianos, o mundo humano é como a um sonho, se pararmos de sonhar, de perceber onírico, toda aquela “realidade” que nos deslumbrava, aflingia,
estimulava ou aterrorizava prontamente desaparece.

Afinal o que o espelho reflete? Depende de quem o observa e de como esta criatura enxerga o mundo. Se ninguém estiver olhando para a superfície refletiva, dali não sairá reflexo algum. Sem percepção não existirás, lembram. Gosto de aplicar este “Ser é ser percebido" a atitude cotidiana das pessoas. Um marombeiro não se esforçaria em ficar grande se ninguém estivesse ali para admirá-lo, para percebê-lo, por exemplo. As pessoas são visuais, se expõem para serem reconhecidas.

Assim podemos afirmar que o espelho não reflete as coisas, em si, ele reflete a nossa percepção das coisas. Portanto, nada semelhante ao o que vemos no espelho pode de fato estar nele sem que alguém o perceba.

No fim disto tudo, tanto anseio por meu reflexo como o temo.


Au revoir!

domingo, 10 de julho de 2016

Sem título decente





Estou prestes a surtar. Respira Any...
Acabei de escrever um post super espontâneo, e apaguei tudo num clique. Agora tentarei reescrever e só sairá merda.

Muito bem. Eu dizia que...

Chega uma hora em nossas vidas que ou descemos para um lugar ainda mais escuro que o fundo do poço ou nos agarramos a qualquer coisa - ainda que sejam em rochas pontiagudas - e nos reerguemos. Escolhi a segunda opção. Tirando força de onde não existe você se apoia sem pensar nas consequências que seu apoio poderá lhe causar. Eu me agarrei a ana, voltei para o franol, aos jejuns, aos pensamentos doentios.

Todos esses dias que vivi como uma garota normal só serviram para me mostrar que aquilo não sou eu. Não estou pronta para procurar a cura.

Eu não consigo ser meio termo.
Eu sou intensidade.
Eu sou por inteiro.

Eu fazia todas as refeições, lanchava com os amigos, com a família me fazia mais presente, parecia mais "forte". Era uma mentira descarada. 
Não era eu.
E agora a ana cravou suas longas unhas cor-preto-avermelhado em mim, e parece que meu sangue é o esmalte que as colore.

Eu me entreguei a ela mais uma vez. Era isso ou eu voltaria a provocar o vômito, e para mim não existiria derrota mais humilhante que me entregar ao que me fez perecer.
Sinto que devo satisfações a vocês, são minhas magrelas e me apoiam até nos piores momentos dessa minha existência insignificante. Tudo que acontece eu preciso lhes dizer, levo seus conselhos com muita seriedade, seus elogios me trazem uma felicidade tão real que sinto o rubor em meu rosto, assim como os sermões me fazem refletir. Obrigada.

Hoje, ao longo do dia pude experimentar sensações das quais senti muita falta. O coração acelerado, as tonturas, as náuseas, a boca seca, as mãos trêmulas e frias, meu estômago se contorcendo desacostumado com o vazio. Tudo isso já fazia parte de mim. Senti-me uma farsa sem essas sensações. Era como ser uma dependente química em abstinência. Eu precisava de franol. Não me julguem. Demorei muito para encontrá- lo, agora estou a o namorar. Paguei oito reais no desgraçado, um absurdo!!!
Más com certeza encontrá-lo foi uma das felicidades do meu fim de semana. A outra foi baixar o novo álbum da Ariana Grande *____* meus olhinhos brilham, nunca fui tão bem preenchida por música desta maneira. Se eu tivesse um pc, colocaria como playlist do blog. Enfim, além de sua música Ari tem me cativado por sua magreza perfeita, por seu estilo, e muito por seu novo hair que se converteu em um longuíssimo ombre hair que beira a perfeição. I'm sorry Anahi, não tenha ciúmes, também irei baixar seu novo álbum. Só para as curiosas abaixo vão as capas dos novos álbuns e seus respectivos nomes:


Dangerous Woman amo


Inesperado 
o irônico é que passei três anos esperando por ele mas ok


Bem, em relação a dieta o plano é não comer mesmo, ou o mínimo possível. Nos próximos posts irei mostrar-lhes meu novo plano de exercícios. Não mostro logo porque quero realmente segui- lo antes de anunciar. Sem exercícios meu corpo jamais ficará como desejo.
Estou tentando manter a sanidade mental imaginando que posso ficar bonita se tentar. Tetarei manter essa linha de pensamento... Ah! Estou com post muito polêmico quase pronto - ainda refletindo se devo postar ou não - somente a Senhora Psicótica sabe o que é. 

O que vocês acham da liberdade de expressão? Tenho medo de assustar vocês quando me deixo escrever sem censura. Hahaha que medo.


Enfim... Fiquem minha diva maravilhosa.


terça-feira, 5 de julho de 2016

v e r g o n h a



Bem magrelas... Eu não sei como começar este post, sinto-me 
extremamente envergonhada com as posturas que ando tendo.
Vou tentar explicar, em resumo, do começo para que não fique confuso.
Eu lancei um desafio no grupo anamia (whats) depois sumi de lá porque tive compulsão, logo meu celular quebrou, fiquei incontatável (?) arranjei um estágio, fiquei apenas 15 dias, e pedi para sair a 10 minutos. Me sinto péssima por isso, sei que sou covarde e devia ter ficado pelo menos um mês, mas eu estava odiando aquilo lá.
Minha atual situação financeira é deplorável, não tenho dinheiro para nada, estou cheia de contas, e a única coisa que me daria dinheiro (300 reais mensais) eu jogo para o alto e grito foda-se! Planos para o cabelo foram todos desfeitos, meu coração está partido em me ver tão desleixada.  Minha pele, unhas,  meu cabelo e meu corpo estão nos seus piores momentos. Mas dá para piorar, sempre dá. Ana está me xingando tanto que acho que até meus pais estão ouvindo os gritos. A dieta esteve uma merda!!! Para ser sincera a dieta nem sequer existiu durante todo este tempo.
Era para ser um resumo do último post até aqui, mas acabou virando o momento que vivo aatualmente  Bom, de qualquer forma deu para vocês entederem o que tem se passado comigo.

A questão é: tenho vergonha de tudo isso. De um desafio legal passo para quase um mês de compulsões.  Eu comi tanto... É meu maior peso do ano. Estou com 61,2kg. 
Tenho vontade de gritar, nada está certo.  Não tem mais franol na minha cidade, me pergunto se irei aprender a viver sem ele ou se sua falta irá continuar sendo este vazio em mim, o qual venho preenchendo com altas doses de comida. 

Estou em semana de provas, mas não consigo estudar. Tenho duas ideias de post para o blog, preciso me dedicar mais. Preciso emagrecer ou vou ter uma crise daquelas.


Não queria que esse post fosse um monte de asneiras e reclamações, mas dessa vez, não consigo fazer nada fazer sentido.

Me desculpem fadinhas 

Fiquem bem
Obrigada por me lerem


Beijos

sábado, 11 de junho de 2016

O cheiro de gengibre, cravo e açúcar está pesando...




“— Você não está orgulhosa de mim, por ter descoberto isto, como seguir você?. — A voz dela zumbe como se moscas agonizantes estivessem presas em sua garganta." WinterGirls


Por que eu preciso ver meu reflexo em tudo? Até minha sombra é forma de medir meu tamanho.
Quando a ana decidiu pegar carona em minhas costas e me perseguir pelo mundo a fora?

É enlouquecedor.

Eu anseio por uma balança. Mas fico enrolando a compra, tenho consciência da frequência em que subirei na mesma então vou chorar mais do que de costume.

Hoje é sábado, dia de pesagem. Os malditos 58,9kg - de banha diga-se de passagem - me incomodam bastante. Da última vez eram 59,8kg, eu esperava ter menos de 58 hoje. Mas no fundo minha barriga roliça já havia me prevenido, eu não poderia pesar menos estando desse tamanho.

  • O que me deixa chateada são essas gramas sobrando, causando volume desnecessário. Meu peso era 59 quilos e 800 gramas, isso é só 200g para 60kg. Agora é 58 quilos e 900 gramas. É SÓ 100g PARA 59kg quemerdaquemerdaquemerda

Magrelas, eu não aguento mais essa azia.
Parece que unhas em chamas estão arranhando minha garganta por dentro.

Hoje, no curso, interrompi a aula para tomar meu franol. Pedi licença ao professor, e mostrei o remédio. Ele me disse: isso não é para emagrecer não, é? Eu sorri e disse que era para garganta. O que foi uma atitude bem idiota, porque ficou óbvio que ele sacou. Foda-se, eu não ligo.

Temo que minha mãe esteja me vigiando. Quando fui mostrar um filme que ela deseja ver no cinema, meu celular tremia tanto que tive que segurá-lo com as duas mãos. Isso é terrível.

Estou com dor de barriga. Fico no banheiro, mas não tem muito o que sair. Estou fazendo muito xixi. Tentando beber muito também, mas minha boca insiste em permanecer seca.

Por fim, estou adorando ficar em dia com o blog e o grupo, mas tudo no colégio desanda. Não consigo me concentrar, nem ler nem nada. Eu quero muito falar para vocês sobre meu novo cabelo dos sonhos e sobre meus planos das férias, mas me sinto desanimada quando estou prestes a explodir de tão gorda.

No momento eu tento ler O Resgate do Tigre, da Saga A Maldição do Tigre. Tento porque as palavras ficam se embaralhando em minha cabeça, e se o personagem não faz o que eu quero logo perco a paciência e jogo o livro no chão - mentira, eu não seria capaz de fazer mal a um livro - mas tenho vontade. Isso, eu sei, é culpa do baixo consumo de calorias e dos efeitos da efedrina.

Tenho consumido cerca de 400/800 calorias de doces. Não tenho vontade de mais nada. O açúcar me deixa gelada constantemente, e também me irrita muito porque comer doce é uma porcaria e me deixa barriguda de um jeito mais bizarro que o normal.



Planejo começar a SGD segunda. Não prometo fazê-la toda, pelo menos a primeira semana tem que rolar, eu preciso muito pesar 55kg ainda este mês.

Acho que esse “por fim" saiu maior do que deveria.

Bom, fiquem com meu futuro Eu.



Besos

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Cheshire Cat



Já dizia alguém o qual eu não me recordo que: o sábio jamais afirma ter certeza. Ele sempre questiona. Indaga a si próprio e sua própria verdade.

Eu, quando penso: “nossa como mudei, já não vejo as coisas de tal maneira, olha como eu era antes" sigo achando que permanecerei de tal forma. Quando então a cada instante ocorrem mudanças constantes.

Ao perceber tais modificações - quando se amontoam chamando minha atenção - penso: “nossa como mudei".

Mais nada importa, mais nada faz sentido.

Como me indentificar ou me denominar algo quando não sei até quando serei tal coisa?

Impossível saber.

Mas Any, impossível não existe.

Despossível então.

Com certeza eu mudei, basta olhar o blog. Quem bem me conhece sabe que a Any Portilla jamais trocaria o cor-de-rosa por azul. Ah o azul... Azul cor-de-eu. Infinito azul.
Desfiz-me dos tons de rosa, mas isto não quer dizer que eu já não o ame. Eu amo cor-de-rosa. Mas, infelizmente, este já não transparecia a mim a Any. Defiz-me também de Anahi, lembram? Ainda te quiero mi reina, mas não é mais a ti meu tributo. Minha thinspo oficial. Quantas vezes escrevi isso achando que era eterno.

Assim como não existe impossível não existe eterno.

euacreditonoinfinito

É contraditório, vocês podem não entender.

Meu lema era: I do Belivie (Eu acredito).
E agora é algo como: Nada é possível. A menos que seja.

São tão semelhantes quanto distintos.

É complicado...

Terminantemente não entendível.

O novo visual do blog tem mais de mim, do que sou agora. Não sou uma mulher de fases.
Nem mulher eu sou, sou apenas uma garotinha
Mas eu preciso estar em harmonia com meu ambiente. Tentarei explicar o motivo da mudança, é que eu tenho problemas com espelhos. Sérios problemas. Espelho me aterroriza desde a primeira infância. Aos dois anos eu murrei um espelho porque já não gostava do que via. Mas Any, como tu sabe que não gostava da tua imagem com apenas dois anos? Ora! Mas que outra explicação teria? Cresci ouvindo lendas sobre os portais encantados espelhos. Quando alguém morre em frente a um, sua alma fica presa nele. Cobrem-se os espelhos de casas onde aconteceu alguma tragédia, para que nada prenda o defunto neste mundo angustiante.

Meus colegas e parentes me julgam cética. Minha mãe, outro dia me chamara de atéia, e me vira irritada com tal pressuposto, visto que só Deus sabe como sou fiel, e com ele converso todos os dias. Só a ele minha fé deve ser provada, não mais.
O fato de me acharem incrédula se contradiz com meu... receio (leia exitante para dar o tom)

Mas que raios eu tenho com espelhos eu não sei. Só sei que de tempos em tempos vejo garotas mortas com borboletas escapando de suas gargantas me observando do lado de lá. As vezes penso que seria mais apropriado, de forma mais fácil, fazê-las gordas, do que elas fazerem de mim alguém magro.

Se pensam que meu blog tem como tema o filme Alice Através do Espelho, estão completamente e inteiramente corretas. Porque no cinema senti-me encarnar naquela lourinha, senti algo infinitamente impossível estar mais próximo do é possível de se imaginar. Como um estalo eu me vi de volta com o dom que tanto amo. A escrita.
Queira Deus alguém me leia e comente aqui em baixo, porque, convenhamos, eu tenho um ego a alimentar certo?

Sinto-me infinitamente satisfeita com meu novo espelho blog. Quando estiverem por aqui, imaginem-se em meio ao meu reflexo. No fundo o blog nada mais é do que isso, um reflexo do meu eu.

O Gato de Cheshire. Ah, como eu amo esse gato! Eih! Talvez seja isso. Eu amo felinos, isso desde... sempre (enfatizem o sempre). Eu amo todo tipo de gato, grande ou pequeno, de qualquer cor. Tenho sérias quedas pela cultura egípcia por conta de sua adoração aos felinos. Tenho carinho por eles desde que me lembro, e talvez seja isso o meu imutável. Sou imutável, constante e estávelmente uma amante de felinos. Eu simplesmente amo gatos e ponto final - sem ponto final porque quero incomodar meu eu estranhamente obcecado por pontuação

Quando começamos a falar de gatos?

Eu sinceramente não sei se isso será postado

Porque não faz sentido.

Ou seria:

Por que não faz sentido?

Se eu não fosse como sou então eu seria diferente do que jamais um dia fui ou queria ser porque por mais que eu tente mudar não consigo permanecer a mesma ainda que eu tente ser algo que eu sonhei e não possa ser de tal maneira porque não me é cabível o que não significa que não é alcançável pois afinal nada é impossível o problema mesmo é que quando eu for como um dia eu quis ser eu já anseiarei em ser algo diferente.

Se é desta forma vocês acham que um dia eu serei perfeita? Eu creio que sim. Ou não. Depende do meu estado de espiríto.

Só para constar, recuso-me terminantemente a utilizar remédios do meio psicológico. 

Sabe o que me veio a mente agora?
Como foram burros os índios ao trocarem ouro por espelhos. Ou seriam eles espertos? Já que riqueza não é tudo. Mas de qualquer forma fizeram mal.

Talvez seja culpa dos índios meu sério... receio (vocês já sabem) com espelhos.




P.s.: essa sou eu, não se assustem. Estou com 59,8kg e me esforçarei para alcançar os 55kg até 30/06/16

terça-feira, 7 de junho de 2016

Apenas não olhe a garota atrás da cortina.


Coroas de gordura pus-colorida sufocam minhas coxas e braços. Ficar deitada não é mais como antes. Eu me fundia à cama, eu fazia parte do colchão, sem fazer volume ou afundar. Hoje sou algo parecido com o Everest em meio aos lençóis, e a barriga é o pico.
Eu quero estudar, quero me concentrar e ter um futuro brilhante, eu quero ser magra e agradável, eu quero ser agradável alguém entende?
Mas tudo que faço é procrastinar os estudos, a dieta, a vida. Tudo, tudo fica para depois. Eu tenho me esforçado. Há quem não concorde, tudo bem. Eu fico atordoada com tantos xingamentos, fico confusa com as pessoas e com como elas pensam. Como podem ser tão cegas? O espelho grita: gordura, gordura, gordura. Mais uma vez o portal se abre e posso sentir o frio chegando, ela vem com seu hálito gélido de menta e gengibre que me faz fechar os olhos de tanto pânico. Até a mia se afasta. Mia tem ficado ao meu lado durantes as últimas semanas. Ela é magra, mas sem tantos ossos sobressalentes. Tem grandes cachos dourados caídos em cascata até o meio das costas. Ela é quente, quente como o vomito morno que jogo para fora depois das compulsões. Quente como o suor que me envolve após longos e dolorosos minutos seguidos em meio ao humilhante hábito de usar laxantes. Mia é como o verão, as vezes castiga, mas é possível conviver. Afastando-se de mim Mia leva consigo seu calor, e chega o frio cortante. 
Ana vem de dentes cerrados e punhos em pedra. Seus olhos queimam de ódio intenso puro. Peço a Deus proteção - ainda que não mereça - porque sei o quão doloroso será. Ana aponta e ressalta cada defeito meu, me afaga e me açoita. A cada “estou aqui para te ajudar" um “sua porca gorda". O mais doloroso é saber que fui eu quem fez isso com meu corpo.
Eu a observo, Ana sim é magra. Ossos brilham como diamantes refletindo a luz do sol. Seus cabelos caem num liso reto até os quadris como um manto escuro, eles a ajudam a se proteger do próprio frio. Ao contrário da Mia, Ana é fria como o inverno dos pólos. Porém me passa uma deliciosa sensação de pureza, quando estou ao seu lado sinto-me sendo purificada aos poucos, tudo é limpo e intenso.
Temo em perdê-la, porque não consigo sequer imaginar-me vivendo como uma criatura dos contos de terror infantis. Temo voltar a pegar-me em frente à geladeira catando coisas para enfiar goela abaixo e depois me  arrepender.

Tinha planejado vir aqui e escrever sobre como ocorreram meus últimos eventos de compulsão ou contar detalhadamente das vezes que passei mal, porém tudo que consegui escrever foi o que ocorreu comigo em alguma dimensão que não consigo explicar. É como flashes que acontecem em segundos, como se eu estivesse sonhando acordada e o tempo parasse.
Eu sinto uma urgência tão desgraçada em voltar ao foco, em sentir a gostosa sensação de fome.
Eu quero estar faminta. Quero estar vazia e me expôr a comida nojenta. Quero provar a mim mesma que tenho força suficiente para ser o que eu quiser.
Afinal, só é impossível se assim você pensar.
Como recompensa às dores que virão, ossos saltarão e eu verei meu peso despencar.

Imagino o quão perfeito será ★