quarta-feira, 19 de outubro de 2016

★ Filosofia + Beleza = Consciência de si mesmo?

O que, em ti, é belo?


Estava eu, refletindo sobre os padrões estéticos estabelecidos em nossa sociedade, e lembrei-me do Mito de Procusto. Nele, existe um relato no qual os gregos, que tramitavam entre as cidades de Atenas e Mégara, se deparavam com um bando de salteadores liderados por Procustos. Este bando tinha uma característica cruel que os marcavam: obrigavam os viajantes a deitarem na “cama do castigo” feita por Procustos. Essa cama tinha uma medida exata. Se a pessoa fosse maior, teria suas pernas e pés mutilados e se fosse menor seria esticada, mas todos teriam que caber no tamanho exato da cama, mesmo que isso lhes custasse à vida. Assim fazemos nós atualmente, tentamos de tudo para caber nos tais padrões, também perdemos a vida em nossos esforços.
Vocês não se perguntam “para quê” ou o “por quê” disso? Tenho quase certeza que sim.


Mas quem raios deu o direito à mídia de ditar as regras? O que é a mídia? Não são as revistas, programas, novelas e blogs? E estes são constituídos pelo quê? Não seria por pessoas? Por que essas poucas pessoas são detentoras de tamanho poder?


São questionamentos que precisamos nos fazer. Por trás da tal da mídia tem gente, pessoas de carne e osso e cheias de defeitos como nós. Mas não, estamos nem aí, o importante é agradá-los. Porque se agradamos a sociedade somos consideradas bonitas, e se somos bonitas, somos felizes.


Mas o que é ser bonito? O que é o Belo? O que, em sentido literal, é beleza?

Primeiro o significado: beleza é uma característica de uma pessoa, animal, lugar, objeto ou ideia que oferece uma experiência perceptual de prazer ou satisfação. É a qualidade do que é belo. Etimologia: O substantivo grego clássico para "beleza" era κάλλος, kallos, e o adjetivo para "belo" era καλός, kalos. Obrigada querido Wikipédia.


Já pararam para refletir exatamente o quê às tornam inadequadas? São os quilos a mais, o nariz mais avantajado ou o culote pulando dos shorts? Tentei entender o que torna um objeto belo diferente de um não belo, então cheguei em três teorias muito interessantes.

São elas:


Objetivista: afirma que todo objeto belo tem - e todo objeto não belo não tem - certa propriedade "p" que o torna belo ou não. Essa propriedade "p" seria algo que é perceptível no objeto mas não é uma parte do objeto. É basicamente que o indivíduo tem “Q” a mais, algo especial, não sendo este algo tangível. Se essa teoria estivesse certa, então todo objeto que tivesse a propriedade "p" seria considerado como belo por qualquer pessoa normal. Daí a primeira objeção que desafia essa teoria: então de onde surgem os desacordos estéticos? Aqui ele propõem várias questões subjetivas (influências de aprendizado por exemplo) que caracterizam o indivíduo como apto ou inapto a percepção da beleza, ou seja, alguns indivíduos percebem o que é belo e outros não. Entretanto, queridas magrelas, há uma divergência pelo fato de as pessoas acharem coisas diferentes belas, ou melhor dizendo, tem gente que acha uma mulher bem magra bonita outros preferem uma mulher malhada (violão). Então, todos os indivíduos tem capacidade de apreciar o belo, porém de maneiras diferentes. O quebra a tal da propriedade “p” - que apesar disso tudo, faz um pouco de sentido para mim, quando proposto em um grupo isolado.


Subjetivista: afirma que não existe nenhuma propriedade "p" no objeto que o torna belo, mas sim algum elemento subjetivo "s" no sujeito que o torna propenso a reconhecer aquele objeto como belo. Ou seja, essa visão quer contrariar a amiguinha. Ela não põe aquele “Q” na coisa que será apreciada, mas sim no indivíduo que irá aprecia-la. Um exemplo bem simples é um filho, a mãe daquele indivíduo o acha a coisa mais linda do mundo, nem que a criatura tenha a boca no lugar dos olhos, mas ela o olha e pensa “que menino lindo” hahaha. Parte daí minhas amadas, as expressões como “mãe coruja” ou “o amor é cego”, porque há estima envolvido naquela visão. Mas Any, que tem a ver isso com ana e mia? Tudo ora essa. Euzinha aqui, essa teoria explicaria minha obsessão por magreza por conta de crescer sob forte influência da beleza de Anahi Giovanna Puente Portilla. Eu tinha afeto por ela, então projetei seu biotipo como imagem da perfeição. Assim como vocês podem ter feito com modelos, atrizes, parentes ou até amigas. Daí se diz que a experiência subjetiva define o que é belo. Porém - sempre tem um “porém” - como, neste caso, poderia existir acordo estético? Sim meus amores, justamente o contrário do questionamento da teoria anterior hehe, precisamos entender que esses filósofos não tão fodões, maioria das vezes a filosofia dos caras é contrariar o coleguinha. Continuando, como é possível que sujeitos diferentes, com experiências e características subjetivas diferentes, concordem entre si que certas coisas, as mesmas coisas, são belas? Tenta-se supor que é o fato de terem experiências ou características subjetivas muito parecidas. Mas essa resposta não é razoável, convenhamos. E nós precisamos nos encher de “certezas” nesta vida, - ou não?
Neste caso, continuemos nossa conversa, e vamos conhecer a terceira resposta para tentarmos entender o que distingue um objeto belo de um objeto não belo.


Intersubjetivista: propõe que entre o indivíduo apreciador e o objeto/indivíduo apreciado exista a mediação de uma cultura estética compartilhada (CEC) por certo número de indivíduos. Essa CEC consistiria numa série de padrões, critérios e valores, ou seja referenciais, com base nos quais o sujeito aprecia o objeto. Fala minha língua Any 😠, é que basicamente esses referenciais da CEC definem certas propriedades "p" que os objetos/indivíduos precisam ter para serem denominados como belos. Desta forma, existem propriedades "p" que tornam o objeto belo, mas não por natureza, e sim porque é conveniente que assim seja, isto é, de acordo com os referenciais da CEC. Não entenderam ainda né? Calma. Um exemplo bem simples, na sociedade contemporânea BRASILEIRA, em sua grande maioria - não em sua totalidade - é que mulher bonita tem estatura mediana, seios fartos, bunda grande e coxas grossas. Isto é apenas um exemplo, mas vocês podem notar que lá no EUA são mais valorizadas as altas de seios fartos de quadril menor e pernas longilíneas. O fator determinante é inserido social e culturalmente, e isso vale até para comportamentos, como a RIDÍCULA “tolerância” a cultura do estupro neste país. Numa mesma CEC, contudo, poderia haver grupos e subgrupos diversos, capazes de explicar também os desacordos estéticos entre indivíduos pertencentes à mesma CEC. De todo modo, para mim, esta é a que define o melhor entendimento para as divergências da concepção de beleza.


Urfa! Guerreiras vocês hein...
Faz tempo que venho querendo racionalizar meu critério de beleza meninas, me sentir menos fútil em minha busca pela perfeição. Eu tenho muitos assuntos para abordar com vocês, esta foi uma parte introdutória - imagina se não fosse hehe. Vamos tentar entender o que nós temos e o que nos trouxe aqui. Em minhas próximas postagens pretendo abordar temas como “pré-determinantes e agravantes dos Transtornos Alimentares” e “Transtorno Dismórfico Corporal”.

Por fim lhes digo, estou completamente desesperada para emagrecer, todavia, apesar de tudo, (hoje) me sinto um tanto focada. Torçam para que este estado de espírito dure.

Vou parar por aqui, porque né, vocês não são obrigadas. Se cuidem minhas magrelitas e lembrem-se:

Jamais deixem-se alienar. Questionem. Queiram saber o porquê das coisas. Há muito a aprender nesta vida. É necessário pensar. Furem o guarda-sol, e enxerguem através da fenda.


💋MILHARES DE BEIJOS💋

10 comentários:

  1. Muito bom esse mito e gostei muito da sua reflexão. Acho importante você trazer à tona esse assunto, fazer as pessoas refletirem.
    Sempre achei essas convenções propensas mais para pessoas mais vazias, fúteis ou simplesmente ingênuas. Como eu por exemplo quando criança queria ter seios grandes mas nunca tive. Hoje aceito muito melhor que os outros ao meu redor sobre o tamanho do meus peitos. Mas enfim.
    Valeu muito a sua reflexão sobre a beleza.

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  2. Foi um ótimo texto. Você conseguiu filosofar bem suas opiniões e deixar tudo bem claro. É algo importante, embora tudo começe de forma inocente, não há como negar uma certa influência.
    Espero que mantenha o foco.

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  3. Oi linda
    legal sua postagem, fiz um trabalho acadêmico este semestre com o tema A Subjetividade do Belo, rs
    Beeeem parecido com tudo o que você disse.

    Conte comigo gata :*

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  4. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  5. Preciso dizer o quanto gostei do texto? Nossa, eu não sabia nem a metade do que diz aí, foi muito útil, quando li a parte que explica os Intersubjetivista, me identifiquei um pouco, por pensar ou ser um pouco como eles. Já estou aguardando às próximas publicações, algo me diz que vai ser tão interessante quanto está, ainda mais se tratando do que passamos, pois como você mesma disse: "Jamais deixem-se alienar. Questionem. Queiram saber o porquê das coisas. Há muito a aprender nesta vida. É necessário pensar. Furem o guarda-sol, e enxerguem através da fenda.". Você está de mais, em!? E sua influência pela Anahi, bem assim mesmo que nos sentimentos, mesmo sendo influências diferentes. Fiquei sabendo que Anahi ficou grávida, falando nela. Essas imagens que você usou na publicação são do estilo bem Tumblr, a modinha do ano, falando sobre beleza, padrões, está aí mais uma. Beijos!

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  6. Lendo esta postagem lembrei quando fui trabalhar com deficientes surdos e mudos eles buscam uma característica da pessoa para associar, tipo toda vez que for "falar" seu nome ao invés de soletrar as letras do seu nome usam sua característica especial para te identificar, no meu disseram ser o sorriso mais a letra j.
    Penso muito sobre essa sua reflexão o problema esta em me aceitar.

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  7. Foi um belo texto, Any. Acho que, no fim, cada um tem o seu próprio padrão de beleza.

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    1. É verdade. O problema é que as vezes esse padrão se torna uma obsessão. O motivo da sua vida. Aí tudo desanda, e seu mundo passa a girar em torno disso.

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  8. Oi Any
    Acho que o segredo é aquele cliche " se amar"
    Gostei muito do texto e senti muita vontade de escutar uma musica da Anahi.
    Bjos

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  9. Oi, Any!
    Lembro-me da empolgação que senti, no dia em que a professora de filosofia foi até o quadro e escreveu estas palavrinhas: "O que é o belo?". A partir daí nós mergulhamos num universo de questionamentos sem nenhuma resposta verdadeira e única, mas ainda assim cheio de significados.
    Particularmente, eu acredito que o que nos leva a considerar algo belo, seja uma mistura entre a subjetividade e intersubjetividade.
    Gostei muito da sua postagem e do seu convite ao questionamento, Any! Quando nós procuramos compreender o que acontece ao nosso redor, mas principalmente aquilo que acontece conosco, então adquirimos poder. Poder de mudança.
    Fiquei muito feliz em ver seu comentário lá no blog ^_^ E respondendo sua pergunta, minha primeira opção de curso é psicologia, depois disso fico dividida entre alguns outros cursos.
    Enfim, aguardo suas novas postagens.
    Beijinhos!

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