sábado, 11 de junho de 2016

O cheiro de gengibre, cravo e açúcar está pesando...




“— Você não está orgulhosa de mim, por ter descoberto isto, como seguir você?. — A voz dela zumbe como se moscas agonizantes estivessem presas em sua garganta." WinterGirls


Por que eu preciso ver meu reflexo em tudo? Até minha sombra é forma de medir meu tamanho.
Quando a ana decidiu pegar carona em minhas costas e me perseguir pelo mundo a fora?

É enlouquecedor.

Eu anseio por uma balança. Mas fico enrolando a compra, tenho consciência da frequência em que subirei na mesma então vou chorar mais do que de costume.

Hoje é sábado, dia de pesagem. Os malditos 58,9kg - de banha diga-se de passagem - me incomodam bastante. Da última vez eram 59,8kg, eu esperava ter menos de 58 hoje. Mas no fundo minha barriga roliça já havia me prevenido, eu não poderia pesar menos estando desse tamanho.

  • O que me deixa chateada são essas gramas sobrando, causando volume desnecessário. Meu peso era 59 quilos e 800 gramas, isso é só 200g para 60kg. Agora é 58 quilos e 900 gramas. É SÓ 100g PARA 59kg quemerdaquemerdaquemerda

Magrelas, eu não aguento mais essa azia.
Parece que unhas em chamas estão arranhando minha garganta por dentro.

Hoje, no curso, interrompi a aula para tomar meu franol. Pedi licença ao professor, e mostrei o remédio. Ele me disse: isso não é para emagrecer não, é? Eu sorri e disse que era para garganta. O que foi uma atitude bem idiota, porque ficou óbvio que ele sacou. Foda-se, eu não ligo.

Temo que minha mãe esteja me vigiando. Quando fui mostrar um filme que ela deseja ver no cinema, meu celular tremia tanto que tive que segurá-lo com as duas mãos. Isso é terrível.

Estou com dor de barriga. Fico no banheiro, mas não tem muito o que sair. Estou fazendo muito xixi. Tentando beber muito também, mas minha boca insiste em permanecer seca.

Por fim, estou adorando ficar em dia com o blog e o grupo, mas tudo no colégio desanda. Não consigo me concentrar, nem ler nem nada. Eu quero muito falar para vocês sobre meu novo cabelo dos sonhos e sobre meus planos das férias, mas me sinto desanimada quando estou prestes a explodir de tão gorda.

No momento eu tento ler O Resgate do Tigre, da Saga A Maldição do Tigre. Tento porque as palavras ficam se embaralhando em minha cabeça, e se o personagem não faz o que eu quero logo perco a paciência e jogo o livro no chão - mentira, eu não seria capaz de fazer mal a um livro - mas tenho vontade. Isso, eu sei, é culpa do baixo consumo de calorias e dos efeitos da efedrina.

Tenho consumido cerca de 400/800 calorias de doces. Não tenho vontade de mais nada. O açúcar me deixa gelada constantemente, e também me irrita muito porque comer doce é uma porcaria e me deixa barriguda de um jeito mais bizarro que o normal.



Planejo começar a SGD segunda. Não prometo fazê-la toda, pelo menos a primeira semana tem que rolar, eu preciso muito pesar 55kg ainda este mês.

Acho que esse “por fim" saiu maior do que deveria.

Bom, fiquem com meu futuro Eu.



Besos

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Cheshire Cat



Já dizia alguém o qual eu não me recordo que: o sábio jamais afirma ter certeza. Ele sempre questiona. Indaga a si próprio e sua própria verdade.

Eu, quando penso: “nossa como mudei, já não vejo as coisas de tal maneira, olha como eu era antes" sigo achando que permanecerei de tal forma. Quando então a cada instante ocorrem mudanças constantes.

Ao perceber tais modificações - quando se amontoam chamando minha atenção - penso: “nossa como mudei".

Mais nada importa, mais nada faz sentido.

Como me indentificar ou me denominar algo quando não sei até quando serei tal coisa?

Impossível saber.

Mas Any, impossível não existe.

Despossível então.

Com certeza eu mudei, basta olhar o blog. Quem bem me conhece sabe que a Any Portilla jamais trocaria o cor-de-rosa por azul. Ah o azul... Azul cor-de-eu. Infinito azul.
Desfiz-me dos tons de rosa, mas isto não quer dizer que eu já não o ame. Eu amo cor-de-rosa. Mas, infelizmente, este já não transparecia a mim a Any. Defiz-me também de Anahi, lembram? Ainda te quiero mi reina, mas não é mais a ti meu tributo. Minha thinspo oficial. Quantas vezes escrevi isso achando que era eterno.

Assim como não existe impossível não existe eterno.

euacreditonoinfinito

É contraditório, vocês podem não entender.

Meu lema era: I do Belivie (Eu acredito).
E agora é algo como: Nada é possível. A menos que seja.

São tão semelhantes quanto distintos.

É complicado...

Terminantemente não entendível.

O novo visual do blog tem mais de mim, do que sou agora. Não sou uma mulher de fases.
Nem mulher eu sou, sou apenas uma garotinha
Mas eu preciso estar em harmonia com meu ambiente. Tentarei explicar o motivo da mudança, é que eu tenho problemas com espelhos. Sérios problemas. Espelho me aterroriza desde a primeira infância. Aos dois anos eu murrei um espelho porque já não gostava do que via. Mas Any, como tu sabe que não gostava da tua imagem com apenas dois anos? Ora! Mas que outra explicação teria? Cresci ouvindo lendas sobre os portais encantados espelhos. Quando alguém morre em frente a um, sua alma fica presa nele. Cobrem-se os espelhos de casas onde aconteceu alguma tragédia, para que nada prenda o defunto neste mundo angustiante.

Meus colegas e parentes me julgam cética. Minha mãe, outro dia me chamara de atéia, e me vira irritada com tal pressuposto, visto que só Deus sabe como sou fiel, e com ele converso todos os dias. Só a ele minha fé deve ser provada, não mais.
O fato de me acharem incrédula se contradiz com meu... receio (leia exitante para dar o tom)

Mas que raios eu tenho com espelhos eu não sei. Só sei que de tempos em tempos vejo garotas mortas com borboletas escapando de suas gargantas me observando do lado de lá. As vezes penso que seria mais apropriado, de forma mais fácil, fazê-las gordas, do que elas fazerem de mim alguém magro.

Se pensam que meu blog tem como tema o filme Alice Através do Espelho, estão completamente e inteiramente corretas. Porque no cinema senti-me encarnar naquela lourinha, senti algo infinitamente impossível estar mais próximo do é possível de se imaginar. Como um estalo eu me vi de volta com o dom que tanto amo. A escrita.
Queira Deus alguém me leia e comente aqui em baixo, porque, convenhamos, eu tenho um ego a alimentar certo?

Sinto-me infinitamente satisfeita com meu novo espelho blog. Quando estiverem por aqui, imaginem-se em meio ao meu reflexo. No fundo o blog nada mais é do que isso, um reflexo do meu eu.

O Gato de Cheshire. Ah, como eu amo esse gato! Eih! Talvez seja isso. Eu amo felinos, isso desde... sempre (enfatizem o sempre). Eu amo todo tipo de gato, grande ou pequeno, de qualquer cor. Tenho sérias quedas pela cultura egípcia por conta de sua adoração aos felinos. Tenho carinho por eles desde que me lembro, e talvez seja isso o meu imutável. Sou imutável, constante e estávelmente uma amante de felinos. Eu simplesmente amo gatos e ponto final - sem ponto final porque quero incomodar meu eu estranhamente obcecado por pontuação

Quando começamos a falar de gatos?

Eu sinceramente não sei se isso será postado

Porque não faz sentido.

Ou seria:

Por que não faz sentido?

Se eu não fosse como sou então eu seria diferente do que jamais um dia fui ou queria ser porque por mais que eu tente mudar não consigo permanecer a mesma ainda que eu tente ser algo que eu sonhei e não possa ser de tal maneira porque não me é cabível o que não significa que não é alcançável pois afinal nada é impossível o problema mesmo é que quando eu for como um dia eu quis ser eu já anseiarei em ser algo diferente.

Se é desta forma vocês acham que um dia eu serei perfeita? Eu creio que sim. Ou não. Depende do meu estado de espiríto.

Só para constar, recuso-me terminantemente a utilizar remédios do meio psicológico. 

Sabe o que me veio a mente agora?
Como foram burros os índios ao trocarem ouro por espelhos. Ou seriam eles espertos? Já que riqueza não é tudo. Mas de qualquer forma fizeram mal.

Talvez seja culpa dos índios meu sério... receio (vocês já sabem) com espelhos.




P.s.: essa sou eu, não se assustem. Estou com 59,8kg e me esforçarei para alcançar os 55kg até 30/06/16

terça-feira, 7 de junho de 2016

Apenas não olhe a garota atrás da cortina.


Coroas de gordura pus-colorida sufocam minhas coxas e braços. Ficar deitada não é mais como antes. Eu me fundia à cama, eu fazia parte do colchão, sem fazer volume ou afundar. Hoje sou algo parecido com o Everest em meio aos lençóis, e a barriga é o pico.
Eu quero estudar, quero me concentrar e ter um futuro brilhante, eu quero ser magra e agradável, eu quero ser agradável alguém entende?
Mas tudo que faço é procrastinar os estudos, a dieta, a vida. Tudo, tudo fica para depois. Eu tenho me esforçado. Há quem não concorde, tudo bem. Eu fico atordoada com tantos xingamentos, fico confusa com as pessoas e com como elas pensam. Como podem ser tão cegas? O espelho grita: gordura, gordura, gordura. Mais uma vez o portal se abre e posso sentir o frio chegando, ela vem com seu hálito gélido de menta e gengibre que me faz fechar os olhos de tanto pânico. Até a mia se afasta. Mia tem ficado ao meu lado durantes as últimas semanas. Ela é magra, mas sem tantos ossos sobressalentes. Tem grandes cachos dourados caídos em cascata até o meio das costas. Ela é quente, quente como o vomito morno que jogo para fora depois das compulsões. Quente como o suor que me envolve após longos e dolorosos minutos seguidos em meio ao humilhante hábito de usar laxantes. Mia é como o verão, as vezes castiga, mas é possível conviver. Afastando-se de mim Mia leva consigo seu calor, e chega o frio cortante. 
Ana vem de dentes cerrados e punhos em pedra. Seus olhos queimam de ódio intenso puro. Peço a Deus proteção - ainda que não mereça - porque sei o quão doloroso será. Ana aponta e ressalta cada defeito meu, me afaga e me açoita. A cada “estou aqui para te ajudar" um “sua porca gorda". O mais doloroso é saber que fui eu quem fez isso com meu corpo.
Eu a observo, Ana sim é magra. Ossos brilham como diamantes refletindo a luz do sol. Seus cabelos caem num liso reto até os quadris como um manto escuro, eles a ajudam a se proteger do próprio frio. Ao contrário da Mia, Ana é fria como o inverno dos pólos. Porém me passa uma deliciosa sensação de pureza, quando estou ao seu lado sinto-me sendo purificada aos poucos, tudo é limpo e intenso.
Temo em perdê-la, porque não consigo sequer imaginar-me vivendo como uma criatura dos contos de terror infantis. Temo voltar a pegar-me em frente à geladeira catando coisas para enfiar goela abaixo e depois me  arrepender.

Tinha planejado vir aqui e escrever sobre como ocorreram meus últimos eventos de compulsão ou contar detalhadamente das vezes que passei mal, porém tudo que consegui escrever foi o que ocorreu comigo em alguma dimensão que não consigo explicar. É como flashes que acontecem em segundos, como se eu estivesse sonhando acordada e o tempo parasse.
Eu sinto uma urgência tão desgraçada em voltar ao foco, em sentir a gostosa sensação de fome.
Eu quero estar faminta. Quero estar vazia e me expôr a comida nojenta. Quero provar a mim mesma que tenho força suficiente para ser o que eu quiser.
Afinal, só é impossível se assim você pensar.
Como recompensa às dores que virão, ossos saltarão e eu verei meu peso despencar.

Imagino o quão perfeito será ★