sábado, 29 de outubro de 2016

Sinto-me tão perdida...


Sinceramente não sei o que é passar um dia de minha vida sem sentir dor ou culpa, sem sentir ódio de ser quem eu sou.

O sabor é bom na boca, mas angustiante no estômago. Meu corpo rejeita tudo aquilo pelo que meu cérebro clama. O estômago aceita bem só o pouco que é lhe dado, sofreu num primeiro momento, mas acostumou-se a sensação de estar vazio.

No presente momento meu corpo é extremos.

O estômago é sinônimo do coração e antônimo do cérebro. Vazios e lotado, respectivamente.

Sinto-me atônita. O que fazer quando por amor a si mesmo, você precisa se machucar tanto?

Recuperar o controle é sentir seu corpo em declínio. Um longo e suave caminho ladeira a baixo. Não pense que alguém vai te salvar, porque não vai. Os poucos que se importam não devem saber, ana crava suas unhas em suas costelas, passa seus longos dedos entre elas, destrói tudo por onde passa, estômago, esôfago, coração... um caminho de tragédias. É lastimável e doloroso, até chegar em sua boca e arrancar sua língua. Desta forma você nem sente sabor, nem pode clamar por ajuda.

Eu sucumbi a ana mais uma vez. Como poderia reclamar se é algo que eu procurei?
Como poderia parar agora, se estar comendo normalmente me machuca tanto?

Pergunto-me por que é tudo tão bagunçado em mim. Por que em meio a tantas pessoas sinto-me tão sozinha. Por que quando estou com o estômago cheio é o momento que sinto o coração mais vazio. Fico questionando o que há de errado comigo, procuro culpados e acho n circunstâncias que me transformaram no que sou hoje. Toda essa necessidade de ser notada, de sentir-me limpa, de estar vazia para ser mais pura.

Sim, mais pura. Quando penso desta forma, consigo ver que este é um dos motivos pelos quais continuo sendo escrava da ana. Ela me proporciona, de certa forma, a tal purificação. Sentindo-me mais limpa sou mais segura, tenho a necessidade de estar vazia para ter um pouco mais de atitude. Não há banhos suficientes para tirarem de mim toda a sujeira que sinto estar impregnada em minha pele, não há escova dental que limpe tantas palavras feias de minha boca. Não há laxante que arranque de minhas entranhas o que comi por toda a vida. Gostaria de poder tomar desinfetante, e limpar minha alma de vez!
É por isso que gosto do cheiro de gengibre, canela e água do mar. O cheiro que ana trás quando passa por mim e abraça-me acalentando-me, acariciando meus cabelos, e dando-me esperança de um dia diminuir este martírio.

Não sei porque sinto que é uma grande mentira, e que como uma mãe que diz a um filho que não tema o mundo para encorajá-lo a seguir em frente, minha ana me ilude a achar que posso realmente ser bela algum dia para ter-me sempre nas mãos.

Será que eu realmente consigo?
Será que devo tentar?
Será que sobreviveria a isso?
Qual é o preço que devo pagar para conseguir o que quero?
É isto que eu realmente quero?

São tantas interrogações...



quarta-feira, 19 de outubro de 2016

★ Filosofia + Beleza = Consciência de si mesmo?

O que, em ti, é belo?


Estava eu, refletindo sobre os padrões estéticos estabelecidos em nossa sociedade, e lembrei-me do Mito de Procusto. Nele, existe um relato no qual os gregos, que tramitavam entre as cidades de Atenas e Mégara, se deparavam com um bando de salteadores liderados por Procustos. Este bando tinha uma característica cruel que os marcavam: obrigavam os viajantes a deitarem na “cama do castigo” feita por Procustos. Essa cama tinha uma medida exata. Se a pessoa fosse maior, teria suas pernas e pés mutilados e se fosse menor seria esticada, mas todos teriam que caber no tamanho exato da cama, mesmo que isso lhes custasse à vida. Assim fazemos nós atualmente, tentamos de tudo para caber nos tais padrões, também perdemos a vida em nossos esforços.
Vocês não se perguntam “para quê” ou o “por quê” disso? Tenho quase certeza que sim.


Mas quem raios deu o direito à mídia de ditar as regras? O que é a mídia? Não são as revistas, programas, novelas e blogs? E estes são constituídos pelo quê? Não seria por pessoas? Por que essas poucas pessoas são detentoras de tamanho poder?


São questionamentos que precisamos nos fazer. Por trás da tal da mídia tem gente, pessoas de carne e osso e cheias de defeitos como nós. Mas não, estamos nem aí, o importante é agradá-los. Porque se agradamos a sociedade somos consideradas bonitas, e se somos bonitas, somos felizes.


Mas o que é ser bonito? O que é o Belo? O que, em sentido literal, é beleza?

Primeiro o significado: beleza é uma característica de uma pessoa, animal, lugar, objeto ou ideia que oferece uma experiência perceptual de prazer ou satisfação. É a qualidade do que é belo. Etimologia: O substantivo grego clássico para "beleza" era κάλλος, kallos, e o adjetivo para "belo" era καλός, kalos. Obrigada querido Wikipédia.


Já pararam para refletir exatamente o quê às tornam inadequadas? São os quilos a mais, o nariz mais avantajado ou o culote pulando dos shorts? Tentei entender o que torna um objeto belo diferente de um não belo, então cheguei em três teorias muito interessantes.

São elas:


Objetivista: afirma que todo objeto belo tem - e todo objeto não belo não tem - certa propriedade "p" que o torna belo ou não. Essa propriedade "p" seria algo que é perceptível no objeto mas não é uma parte do objeto. É basicamente que o indivíduo tem “Q” a mais, algo especial, não sendo este algo tangível. Se essa teoria estivesse certa, então todo objeto que tivesse a propriedade "p" seria considerado como belo por qualquer pessoa normal. Daí a primeira objeção que desafia essa teoria: então de onde surgem os desacordos estéticos? Aqui ele propõem várias questões subjetivas (influências de aprendizado por exemplo) que caracterizam o indivíduo como apto ou inapto a percepção da beleza, ou seja, alguns indivíduos percebem o que é belo e outros não. Entretanto, queridas magrelas, há uma divergência pelo fato de as pessoas acharem coisas diferentes belas, ou melhor dizendo, tem gente que acha uma mulher bem magra bonita outros preferem uma mulher malhada (violão). Então, todos os indivíduos tem capacidade de apreciar o belo, porém de maneiras diferentes. O quebra a tal da propriedade “p” - que apesar disso tudo, faz um pouco de sentido para mim, quando proposto em um grupo isolado.


Subjetivista: afirma que não existe nenhuma propriedade "p" no objeto que o torna belo, mas sim algum elemento subjetivo "s" no sujeito que o torna propenso a reconhecer aquele objeto como belo. Ou seja, essa visão quer contrariar a amiguinha. Ela não põe aquele “Q” na coisa que será apreciada, mas sim no indivíduo que irá aprecia-la. Um exemplo bem simples é um filho, a mãe daquele indivíduo o acha a coisa mais linda do mundo, nem que a criatura tenha a boca no lugar dos olhos, mas ela o olha e pensa “que menino lindo” hahaha. Parte daí minhas amadas, as expressões como “mãe coruja” ou “o amor é cego”, porque há estima envolvido naquela visão. Mas Any, que tem a ver isso com ana e mia? Tudo ora essa. Euzinha aqui, essa teoria explicaria minha obsessão por magreza por conta de crescer sob forte influência da beleza de Anahi Giovanna Puente Portilla. Eu tinha afeto por ela, então projetei seu biotipo como imagem da perfeição. Assim como vocês podem ter feito com modelos, atrizes, parentes ou até amigas. Daí se diz que a experiência subjetiva define o que é belo. Porém - sempre tem um “porém” - como, neste caso, poderia existir acordo estético? Sim meus amores, justamente o contrário do questionamento da teoria anterior hehe, precisamos entender que esses filósofos não tão fodões, maioria das vezes a filosofia dos caras é contrariar o coleguinha. Continuando, como é possível que sujeitos diferentes, com experiências e características subjetivas diferentes, concordem entre si que certas coisas, as mesmas coisas, são belas? Tenta-se supor que é o fato de terem experiências ou características subjetivas muito parecidas. Mas essa resposta não é razoável, convenhamos. E nós precisamos nos encher de “certezas” nesta vida, - ou não?
Neste caso, continuemos nossa conversa, e vamos conhecer a terceira resposta para tentarmos entender o que distingue um objeto belo de um objeto não belo.


Intersubjetivista: propõe que entre o indivíduo apreciador e o objeto/indivíduo apreciado exista a mediação de uma cultura estética compartilhada (CEC) por certo número de indivíduos. Essa CEC consistiria numa série de padrões, critérios e valores, ou seja referenciais, com base nos quais o sujeito aprecia o objeto. Fala minha língua Any 😠, é que basicamente esses referenciais da CEC definem certas propriedades "p" que os objetos/indivíduos precisam ter para serem denominados como belos. Desta forma, existem propriedades "p" que tornam o objeto belo, mas não por natureza, e sim porque é conveniente que assim seja, isto é, de acordo com os referenciais da CEC. Não entenderam ainda né? Calma. Um exemplo bem simples, na sociedade contemporânea BRASILEIRA, em sua grande maioria - não em sua totalidade - é que mulher bonita tem estatura mediana, seios fartos, bunda grande e coxas grossas. Isto é apenas um exemplo, mas vocês podem notar que lá no EUA são mais valorizadas as altas de seios fartos de quadril menor e pernas longilíneas. O fator determinante é inserido social e culturalmente, e isso vale até para comportamentos, como a RIDÍCULA “tolerância” a cultura do estupro neste país. Numa mesma CEC, contudo, poderia haver grupos e subgrupos diversos, capazes de explicar também os desacordos estéticos entre indivíduos pertencentes à mesma CEC. De todo modo, para mim, esta é a que define o melhor entendimento para as divergências da concepção de beleza.


Urfa! Guerreiras vocês hein...
Faz tempo que venho querendo racionalizar meu critério de beleza meninas, me sentir menos fútil em minha busca pela perfeição. Eu tenho muitos assuntos para abordar com vocês, esta foi uma parte introdutória - imagina se não fosse hehe. Vamos tentar entender o que nós temos e o que nos trouxe aqui. Em minhas próximas postagens pretendo abordar temas como “pré-determinantes e agravantes dos Transtornos Alimentares” e “Transtorno Dismórfico Corporal”.

Por fim lhes digo, estou completamente desesperada para emagrecer, todavia, apesar de tudo, (hoje) me sinto um tanto focada. Torçam para que este estado de espírito dure.

Vou parar por aqui, porque né, vocês não são obrigadas. Se cuidem minhas magrelitas e lembrem-se:

Jamais deixem-se alienar. Questionem. Queiram saber o porquê das coisas. Há muito a aprender nesta vida. É necessário pensar. Furem o guarda-sol, e enxerguem através da fenda.


💋MILHARES DE BEIJOS💋

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Imaginem a Rapunzel careca. Sintam sua dor ...


“Olhe num espelho e veja um fantasma. Escute cada batida do seu coração gritar que tudo absolutamente tudo está errado com você.”

— Garotas de Vidro

Ontem fui a uma procissão, queria renovar minha fé, estar mais próxima de Deus - mesmo que eu ache que não é preciso ir a igreja especificamente para estar perto de Deus - mas apesar da paz de espírito, também senti muita, muita decepção.
Foi tão doloroso me sentir tão feia, vi meninas maravilhosas, tão simpáticas, bonitas, seus corpos, rostos e cabelos tão perfeitos. Mas teve uma que, puta que pariu, olhar para ela me dava desespero. Era uns cinco centímetros mais alta que eu, loira natural, de um corpo deslumbrante. Não era thinspo, ela tinha aquele tipo de corpo incontestável pela grande maioria. Toda proporcional, simétrica. sou a louca da simetria Olhos claros, sorriso aberto. Deslumbrante em sua calça jeans e camisa preta.
Me senti extremamente mal, deslocada. Fiquei questionando “por quê”, mas não tem explicação. Eu simplesmente tinha que nascer tão feia e pronto.

Outro dia estava olhando imagens de looks inspiração, que claro, são vestidos por thinspos. Comentei com uma colega como aquelas pernas eram lindas, minha amiga riu e disse que eu estava louca, respondi com convicção que achava pernas finas lindas, que tudo bem magro sempre é mais bonito. Ela respondeu simplesmente “então tu deve se odiar”. Foi o suficiente para calar-me a boca.

Como palavras podem ser tão dolorosas?

A tanto tempo não vivia uma má fase tão horrível. Não consigo parar de comer, não tenho dinheiro para nada - inclusive arrumar meu cabelo - e se meu cabelo não está bom minhas magrelas, não sou ninguém.

Sei que parece exagero da minha parte, mas é que foto engana. A da esquerda é meu cabelo em maio de 2015, e a da direita é de agosto deste ano. Tinha feito hidratação nas duas, porém a última foi tirada a noite e com flash. Além disso a última foi tirada mais de perto, por isso não se nota muita diferença de tamanho.

Vejam a mudança. Não, não foram processos químicos. Foi a ana, que me levou a ÚNICA coisa a qual eu gostava em mim: meu longo hair. Ai que saudades. Vocês não, não podem ... Não sei como escrever em palavras a dor que sinto, não sei mais transformá-la em poesia. Tudo está um tormento!
Sobre meu cabelo, ele foi caindo ao longo do ano que perdi os 20kg, eu via e sentia a queda, mas não parecia tão preocupante. Se vocês acham que o cabelo vai caindo em grandes e assustadoras mechas, não é bem assim. Ele vai caindo aos poucos, claro que bem mais que o normal, mas você não vai acordar um dia com um círculo careca na cabeça. Em mim caíram cabelos principalmente na parte da frente, atrás das orelhas e no topo da cabeça. Agora que está crescendo - bem devagar só para constar - meu cabelo ficou um rabicho com muito frizz encima. O fio está ainda mais fino, o volume reduziu à metade, me vi obrigada a cortar. É tão desesperador. Essa questão do cabelo me fez pensar se valeu a pena. Ainda não obtive resposta.

Estou muito confusa e desanimada. Como recomeçar? Como sair de onde estou. Não posso permanecer assim!

Preciso purificar-me. Necessito de uma limpeza profunda.

Minha alma está quebrada, meu coração partido. Tudo que exala de mim neste momento é dor 💔